Um cabaré com histórias íntimas de amor

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25 jun 2010

A cantora Patricia Cano está em cartaz até domingo em Kisageetin: A Cabaret. Conheça um pouco sobre a artista e também sobre a peça que mistura os idiomas aborígene, inglês, francês e espanhol.

O Cree é um dos maiores grupos aborígenes da América do Norte, habitando, em sua maioria, ao norte e oeste do Lago Superior, compreendendo as províncias de Ontário, Manitoba, Saskatchewan, Alberta e Northwest Territories. Um dos mais notáveis crees é o dramaturgo e romancista Tomson Highway, que compôs e escreveu 12 canções para o show Kisageetin: A Cabaret, que fica em cartaz até domingo, no Berkeley Street Theatre.

No idioma cree, “eu te amo” significa Kisageetin. O show, parte teatro, parte musical, narra as aventuras de uma concubina em uma cidade pequena que, através de seus 20 anos de trabalho em uma pequena agência dos correios, desenvolveu a habilidade de ler as cartas de seus “clientes” através do envelope. Na verdade, este talento vem de seu conhecimento da vida afetiva de seus clientes, que ela conhece tão bem. Assim, cada uma das 12 canções é, na realidade, uma carta que ela canta para o público, contando as histórias de 12 dos seus clientes favoritos. Junto com Tomson, estão o aclamado saxofonista Christopher Plock e a cantora peruana Patricia Cano.

O toque de Patricia

As canções de Kisageetin foram criadas como um presente de Tomson a seu parceiro de 25 anos, em comemoração ao seu 60º aniversário. Este é um projeto que o dramaturgo havia criado em 2008, e desde o começo tinha em mente a participação de sua amiga Patricia Cano. Em entrevista ao OiToronto, Patricia diz que Tomson e seu parceiro são como uma família pra ela, “participar deste show é um presente delicioso! Para qualquer artista, quando um autor e/ou compositor escreve pensando em você, com sua voz e personalidade em mente, é um presente muito especial
de fato!“, conta.

A colaboração de Patricia com Tomson Highway acontece há nove anos já, quando juntos viajaram a vários cantos do mundo, como Montreal, Praga, Barcelona, Berlim, Rio de Janeiro e Budapeste, apresentando canções em inglês, francês, cree e espanhol, dos shows Rose e The Incredible Adventures of Mary Jane Mosquito. Segundo a cantora nascida em Sudbury, interior de Ontário, essas viagens com o dramaturgo foram experiências incríveis para ela, “experiências concretas de trabalho que me fizeram uma melhor artista de cabaré, uma cantora melhor…”, diz. “Os públicos foram sempre muito parecidos em sua generosidade e na forma como reagiram às canções e histórias. Para melhor alcançá-los, eu tive de aprender frases e expressões, e praticar a forma de introduzir algumas das canções na língua local, apenas para pagar-lhes a cortesia de chegar até eles.”

Aliás, experiência internacional é o que Patricia mais tem em seu currículo. Fora as viagens com Tomson, a cantora trabalhou na França, Coréia do Sul e já viveu no Brasil. Segundo ela, tudo isso lhe deu muita confiança na hora de cantar, “quando tinha meus vinte e poucos anos, quando pessoas me pediam para cantar na mesa de um jantar durante uma turnê, por exemplo, eu ficava tão nervosa e na dúvida se a minha escolha de música seria boa o suficiente, ou adequada, ou mesmo interessante para este novo grupo de amigos de outro país.” Hoje ela sabe que qualquer canto é suficiente, adequado e interessante, se for bem feito, com amizade e com amor. “A canção é uma história. Uma história contada por um bom contador de histórias pode ser ouvida e apreciada mais de uma vez, como quando uma criança pede pela mesma história para dormir cada noite.“ Segundo ela, se não tivesse viajado com Tomson todos esses anos, certamente não estaria nesta fase de sua carreira, e quem sabe, nem seria sequer uma cantora profissional.

Neste fim de semana, o público pode conferir o material eclético do cabaré de Tomson e o talento de Patricia Cano. “Além disso, ouvir a língua cree, ao lado de francês, inglês e espanhol, em forma de cabaré, é algo único, não?” – conclui ela.

Serviço

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