Brunch de dia dos pais
18 jun 2010
O dia dos pais é neste fim de semana e o OiToronto dá a dica de um lugar para curtir um tradicional brunch em família.

Omelete: especialidade da casa
A explicação é matemática: breakfast + lunch = brunch. Mas o significado vai além. Reza a lenda que a tradição teria começado porque aos domingos as pessoas costumam acordar mais tarde, por volta das 10 da manhã, exatamente entre o café da manhã e o almoço. Daí então veio a ideia de se fazer uma refeição que combinasse um pouco das duas: breakfast (café da manhã) e lunch (almoço).
Não demorou para que a moda do brunch se espalhasse dos Estados Unidos para o Canadá. Hoje em dia, é praticamente um programa obrigatório aos domingos em várias cidades do país. “É também um momento especial que as famílias têm para se reunir, já que durante a semana nem sempre é possível fazer as refeições em conjunto”, explicou-me o canadense Warren Kennedy, entre uma garfada e outra, enquanto saboreava o brunch do Hot House Cafe (35 Church Street), um dos mais famosos de Toronto.
Trata-se de um buffet com dezenas de opções que vão desde frutas a carnes e massas. Isso sem falar nas sobremesas (sim, aqui vale o clichê “de dar água na boca”). O cliente paga um preço fixo e se serve à vontade.
Assim como para Warren, era a minha primeira vez no restaurante e confesso que, ao contrário dele, fiquei um pouco confusa ao chegar. Quer dizer, meu estômago ficou. Afinal, embora já fossem 10 da manhã, aquela seria a minha primeira refeição do dia. Portanto não consegui digerir a ideia de encarar logo uma lasanha ou um prato de feijão. Até porque, se assim fosse, eu estaria pulando direto para o lunch e a proposta não é essa. Para um perfeito brunch, é preciso começar pelas preliminares, isto é, pelo breakfast.
Lá vou eu para a mesa das frutas. É claro que eu não exagerei na quantidade, pois sabia que logo adiante um almoço me esperava. Um pedaço de melancia, de melão (docinho e suculento) e uma fatia de pão integral da casa. Um ótimo warm-up.
Agora sim eu estava preparada para a metamorfose. Hora de provar um prato bem apropriado àquele horário de transição, quando o café da manhã começa a virar almoço: omelete. E, em se tratando do Hot House Cafe, não dá pra deixar de prová-lo. O “omelette bar” é a sensação entre os clientes, que fazem fila atrás do balcão onde dois rapazes simpáticos preparam a iguaria de acordo com o gosto do freguês.
No meu, escolhi cebola caramelada, champignon, tomate fresco, queijo feta, pimentões doces e espinafre. Só não entendi por que o espinafre foi pra frigideira junto com os outros ingredientes… as folhas ficaram super murchas! Espero que algum leitor que entenda do assunto saiba me responder. O que importa é que provavelmente eu não devo ter feito a melhor das combinações porque o omelete não ficou lá muito saboroso. Mas tudo bem, ele estava delicioso se comparado ao café, talvez o único ponto fraco do lugar, e não só de lá, mas da maioria dos lugares aqui no Canadá. Quem gosta de café “brasileiro” (leia-se “forte”), sabe do que eu estou falando. O café daqui tá mais pra chafé (chá + café = chafé) de tão fraco que é. A Matemática também explica.
Mas sigamos adiante que a nossa aventura gastronômica dominical ainda está na metade. E aí, eis o problema: eu tinha esquecido de avisar isso ao meu estômago… àquela altura, depois do omelete, eu já estava satisfeitíssima. Só de olhar o vai-e-vem das pessoas com seus pratos recheados já tava começando a me dar indigestão. Dei um tempinho, respirei e parti para a categoria “almoço propriamente dito”.
Como a variedade é grande, decidi pegar uma amostra de várias coisas para experimentar o tempero da casa: lasanha ao forno (excelente), capeletti de queijo (bom), tortilla de frango (mais ou menos) e salmão (saboroso). Tive que parar por aí pra deixar espaço para a sobremesa, mas só pra se ter uma ideia da variedade, o buffet inclui ainda quatro tipos de salada, feijão, carnes e até mexilhão. Ah, sem falar nos campeões de popularidade por aqui: ovos mexidos, bacon e salsichas. Juro que vi uma menina segurando um prato com uma fatia de melancia, uma de torta e duas de bacon. Aí, só Freud explica.
Antes de passarmos à sobremesa, um parêntese. É que ironicamente, justo no meio dessa comilança, conheci um personal trainer e aproveitei para pedir que ele desse uma dica pra quem não se controla, mas não quer exagerar diante de opções tão tentadoras. Com a palavra, Javier Bengoa: “O bom é que no meio de tantas opções há também pratos mais leves e saudáveis, como as saladas e as carnes que aqui são magras. Outra dica é servir sempre porções pequenas, porque assim dá pra se controlar mais facilmente e saber o limite do seu estômago”.
Agora sim, chegou o momento mais doce do dia. Coincidência ou não, até a trilha sonora veio a calhar. A banda de jazz tocou Insensatez (de Tom e Vinícius), antecipando o devaneio que estava por vir. Embora minha gula quisesse esquecer as palavras do Javier e seguir a tendência da música, minha razão me fez ser prudente na quantidade, embora intensa no sabor. Waffle com calda de chocolate e morango, uma fatia de torta de morango e outra de torta de maçã com aveia (apple crisp pie). O meu brunch chegava ao fim. Missão cumprida. Em apenas duas horas, passei do café da manhã ao almoço. E pra não parecer mal educada me despedindo logo agora que estou de barriga cheia, aqui vai mais um dedinho de prosa…
Como no próximo domingo é dia dos pais aqui no Canadá, fica a dica pra quem quiser fazer um programa tipicamente canadense com a família ou amigos. Mas é bom ligar antes para fazer reserva.
Ah! Lembram do personal trainer Javier? Pois é, ele é mexicano e me contou que lá no México também existe a tradição do brunch. Chama-se almuerzo (desayuno, café da manhã + comida, almoço). E nem adianta pedir explicações à Matemática desta vez.
fotos: Eric Major
Serviço
- Brunch no Hot House Café
- quando? aos domingos, a partir das 9:30 am.
- quanto? $ 18,95 por pessoa + taxas.
- reservas: 416 366 7800 ou pelo site www.hothousecafe.com


