Arte de impacto que faz pensar

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3 mar 2010

Instalação sobre vida, morte e renascimento marca a abertura de novas exposições da Art Gallery of Ontario.

O curador do AGO David Moos e a instação Palmsonntag - Foto: Eric Major

O curador do AGO David Moos e a instação Palmsonntag - Foto: Eric Major

O alemão Anselm Kiefer é considerado uns dos artistas plásticos mais importantes da atualidade. O seu trabalho costuma ser grande em escala, com temática histórica, espiritual e alusões políticas. Suas pinturas e esculturas podem ser vistas em grandes museus de arte contemporânea do mundo, como o MOMA em Nova York, o Tate em Londres e o Louvre em Paris. Um de seus trabalhos, a monumental instalação Palmsonntag, que havia sido apresentada em Los Angeles e em Paris, chega agora ao quinto andar do AGO, em Toronto.

Ao todo, a instalação é composta de uma palmeira de 12 metros de altura com um molde de fibra de vidro e resina, que fica deitada no chão da galeria, rodeada por 44 imensos painéis pendurados na parede. Os painéis, dentre os quais oito foram feitos exclusivamente para o AGO, combinam pintura, gesso, barro, madeira, planta seca, cintos de castidade enferrujados, entre outros materiais.

O Palmsonntag (Domingo de Ramos em português) mistura símbolos religiosos, rabiscos antigos em vários idiomas e imagens de fósseis deteriorados, que juntos lidam com a vida, a morte e a possibilidade do renascimento, todos na mesma extensão. Em entrevista ao OiToronto, o curador da exposição David Moos diz que este trabalho poderoso do artista apresenta questões que definem quem somos, estando relacionado a todos nós, “um verdadeiro exemplo ambicioso da visão de Kiefer“ – comenta.

Segundo o curador, colocar uma grande palmeira dentro do quinto andar de uma galeria de arte foi uma operação complicada, mas compensadora, principalmente na questão arquitetônica. “Colocar um trabalho em um grande salão teria um impacto.” – conta ele – “A ideia de ter apenas esta arte, sem nenhum banco para sentar, sem nada mais, seria um convite para que o visitante da AGO tenha uma grande experiência”.

Por estar em um salão com abertura no teto, ou seja, com iluminação natural, a visão da palmeira deitada no chão, com essa luz especial sobre ela, faz com que David se sinta fundamentado, “talvez seja um sinal de que o renascimento ainda seja possível, por que a luz está brilhando neste trabalho, no caso a luz do sol que vem de cima. Esta é a apresentação de um trabalho que é uma meditação sobre a morte e as possibilidades da vida”.

Novas atrações

O Palmsonntad de Anselm Kiefer foi aberto ao público em 2 de março, mesmo dia em que a exposição Sculpture as Time: Major Works. New Acquisitions. Ambas estarão no AGO até 1º de agosto. Na exposição, que inclui dança, vídeo e justaposições de trabalhos contemporâneos clássicos, a ideia é explorar como artistas desde os anos 60 vêm radicalmente mudando definições de arte. “Desde os anos 60, a noção clássica de que uma escultura é um objeto inanimado em um espaço foi radicalmente expandida.” – diz David Moos – “Uma escultura pode assumir várias formas, mas o que coloca esses trabalhos juntos é sua relação com o tempo – passado, presente, futuro.”

A exposição contém 30 trabalhos apresentados no Vivian & David Campbell Centre for Contemporary Art (quinto andar) e no Walker Court, onde Kiss, de Tino Sehgal, uma dança coreografada que usa beijos esculturais da história da arte como referência, é apresentado ao lado de dois trabalhos que a inspiraram: The Kiss, de Auguste Rodin e Kiss, de Constantine Brancusi.

Fotos: Eric Major

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