Brasil e Canadá como fonte de inspiração
7 jul 2010
Um pintor brasileiro que retrata o Canadá e um fotógrafo canadense apaixonado pelas paisagens brasileiras. Conheça o trabalho de Avi Neto e Chris Harrison, que neste mês participam de uma exposição coletiva de arte durante o Expressions of Brazil.

Quadro "Jumping", de Avi Neto, mostra campo de trigo.
Pintura
Avi Neto cresceu durante a ditadura, quando o sonho de muita gente era mudar o Brasil e torná-lo mais democrático e tolerante. Durante a universidade, ele enfrentou muita repressão e, ao concluir o curso de Arquitetura, não teve dúvidas: era hora de deixar o Brasil. “O Canadá me pareceu uma escolha adequada, pois eu poderia trabalhar como arquiteto e me desenvolver intelectualmente como sempre quis”, relembra Avi.
Além de mudar de país, mudou também a forma de encarar a pintura, que passou de hobby para prioridade na vida do artista natural de Goiânia (GO). “Desde 2003 pinto diariamente”, completa. Avi, fascinado pelo céu do Brasil, logo introduziu elementos canadenses em suas obras, utilizando óleo e acrílico sobre tela ou madeira. “Eu uso elementos de diversas fontes, não apenas de um único lugar. Gosto de colocar os campos de trigo em minhas telas e outras paisagens canadenses. Costumo pintar o ser humano e sua interação com o mundo e a realidade em que vivemos”.
O trabalho de Avi Neto já foi exposto no Cultural Space, na Prefeitura de Toronto, em 1984, e no ano passado a exposição “Off the Canon Path” ocupou o Blinc Studios. “Na noite de abertura mais de 150 pessoas estiveram presentes. Para mim foi muito gratificante”, conta. A próxima oportunidade de conhecer algumas obras do goiano será na exposição coletiva no Harbourfront Centre, durante o Expressions of Brazil.
Fotografia
O canadense Chris Harrison passou a se interessar pelo Brasil ainda na infância, por meio da música (bossa nova) e do cinema brasileiros, mas foi só depois de se apaixonar por uma brasileira que ele finalmente visitou o país. Enquanto o namoro com a paulista não deu certo, a paixão de Chris pela cidade de São Paulo terminou em casamento. Durante os meses em que esteve lá, o fotógrafo percorreu a cidade diariamente em busca de novas paisagens para registrar. A inspiração estava nos lugares mais simples, como na própria rotina agitada da quarta maior cidade do mundo, por exemplo. “A cidade durante o dia, a mistura de concreto com pessoas, os carros, a chuva e os artistas de rua na Vila Madalena. Eu explorei tudo isso com minhas câmeras discretamente escondidas”, conta.
De São Paulo, ele partiu ao encontro de novos cenários na Bahia. Uma experiência, segundo ele, “cheia de cultura e também uma ótima oportunidade de mostrar imagens de Salvador que pouca gente conhece”. Um dos momentos mais marcantes para ele foi o encontro com pescadores durante os preparativos para a festa de Iemanjá em Rio Vermelho. “Foi muito bom vê-los conversando sem se incomodar com a minha presença. Por alguns momentos eu sentia como se tivesse parado no tempo e conseguisse captar a vida exatamente como ela acontece”, relembra.
O resultado da temporada na Bahia pode ser visto no Restaurante Cajú, em Toronto, onde a série “Everyday life in Bahia, Brazil” está exposta. O trabalho de Chris Harrison também ganhou lugar de destaque nas paredes do Consulado Geral do Brasil em Toronto e, em breve, estará entre as obras de arte na exposição coletiva do Expresisons of Brazil.
Confira os outros artistas que também vão participar da exposição no Harbourfront Centre no post Dança, culinária e artes visuais, que publicamos recentemente.


