O lado novato e o experiente do Fringe
6 jul 2010
O OiToronto conversou com dois participantes do Fringe Festival para conhecer um pouco sobre o maior festival de teatro de Toronto sob as perspectivas de um veterano e um estreante.

Bruce Hunter e Denise Mader estão em The Getaway. - Foto: Damien Nelson
A primeira edição do Toronto Fringe Festival aconteceu em 1989. Atualmente, o maior festival de teatro da cidade, que acontece até o dia 11 de julho, apresenta mais de 150 produções canadenses e internacionais, envolvendo mais de 1.200 artistas. Por esses números, não é de se espantar que a grande maioria dos profissionais da área de teatro de Toronto já tenha participado de alguma maneira do Fringe, seja atuando ou escrevendo uma peça.
Ao longo dos anos, algumas produções que estiveram originalmente no Fringe acabaram conquistando novos espaços, como a peça Da Kink In My Hair, que mais tarde se tornou um programa de TV, e The Drowsy Chaperone, que chegou à Broadway e fez várias turnês mundiais. Em 2009, My Mother’s Jewish-Wiccan Wedding foi escolhida pela Mirvish Productions, e apenas três meses depois, estava em temporada no Panasonic Theatre.
A importância que o festival adquiriu se reflete a cada edição, quando produções de novos e também consagrados profissionais são apresentadas. Para conhecer um pouco sobre o Fringe, o OiToronto conversou com Bruce Hunter e Spencer Smith.
Bruce Hunter, o experiente
O ator e produtor Bruce Hunter tem dois shows no Fringe Toronto este ano, The Getaway e A Freudian Slip of the Jung. Bruce é vencedor de um prêmio Gemini, uma espécie de Emmy canadense, interpretou o personagem principal de The Truth About Head, filme premiado no festival de Cannes em 2003, e teve papéis em grandes filmes de Hollywood como Good Will Hunting e Mean Girls.
OiToronto – Conte-nos um pouco sobre suas peças.
BH – “Estou em três shows na realidade, Billy Stutter: An Irish Play, de Dan Hershfield, que fala sobre um homem com uma gagueira e um segredo, que eu dirigi e está nos Fringes de Ottawa e Winnipeg. Para o festival de Toronto, eu também dirigi A Freudian Slip of the Jung, de Sean Fisher, que é uma comédia-farsa baseada na verdadeira história da amizade ‘incomum’ de Carl Jung e Sigmund Freud . The Getaway, que eu mesmo escrevi, produzi e em que atuo, é uma comédia de amor e crime que acontece dentro de um veículo em movimento.”
Oi - Como é ter duas peças ao mesmo tempo em um festival? Como você se prepara para elas?
BH – “Eu tive que lenta e simultâneamente ensaiá-las e pular para cá e prá lá entre os diversos shows. Foi um processo longo que compensou muito. Estou muito feliz com todos os shows. Melhor do que eu esperava na verdade.”
Oi – Você acha que, pelo fato de ter recebido prêmios em sua carreira, isto te adiciona mais pressão em um novo trabalho?
BH – “Acho um pouco estranho darmos prêmios para a arte. Eu sinto que é muito difícil chamar algo de ‘melhor’, mas é sempre bom ser apreciado pelos colegas. Neste momento da minha vida, eliminei a pressão e não me preocupo mais com as expectativas, principalmente em relação a mim mesmo.”
Oi – Com tantas peças no Fringe, como você “compete” com outras apresentações?
BH – “A melhor coisa é criar um show com muito foco e amor, e fazer o melhor que puder, o resto é distribuir panfletos e ser um vendedor.”
Spencer Smith, o novato
Spencer é dramaturgo e estreia no festival com seu novo show A Rush Of Blood To The Head.
Oi – Conte-nos um pouco sobre sua peça.
SS – “A peça é feita de uma série de instantes, ou flashes, quando uma bala atravessa a cabeça de Christopher, um rapaz de Mississauga, com vinte e poucos anos, que nunca conquistou nada na vida. O texto aborda os temas dos laços familiares, e a diferença entre um herói e um vilão, propondo ao público que talvez o arquétipo heróico tenha sido extinto pela minha geração.”
Oi – O que você busca tendo uma peça no Fringe?
SS – “Esta é a primeira vez que a peça é encenada, por isso quero ver como o público reage, mais especificamente, Christopher. Pergunto a todos que lêem o script, se acham que ele encarna o herói trágico, ou será que ele merece o que recebe no final?”
Oi – Como é participar de um festival como esse? Você tem algum conselho para quem pensa em ter um espetáculo no Fringe?
SS – “É uma adrenalina! Quando tudo se acalma, é lindo, mas do nada surgem os kits de imprensa, os pedidos técnicos e todo o resto, tudo ao mesmo tempo. É como um curso de teatro profissional. Você aprenderá mais sobre teatro, sobre sua arte e sobre si mesmo do que você jamais poderia imaginar.”
Oi – Com tantas peças, como você “compete” com as outras?
SS – “Você precisa ter algo que separe a sua peça das demais, e ter orgulho disso. Dê ao público algo que nunca foi visto antes, ou uma nova maneira de olhar para algo que pode ser visto todos os dias. Além disso, saia, conheça as pessoas. Inicie conversas sobre a sua peça com outros “Fringers” e os deixe curiosos para conferir do que se trata a sua peça. A barraca de cerveja do Fringe é um lugar perfeito para começar.”
O festival vai até o próximo dia 11. Para lista de peças, horários e ingressos, visite o site do Fringe Festival.


